Arte Egípcia
Dentro da história da arte é possível considerar que a arte produzida até os dias atuais é fruto de ensinamentos e influencias de produções artísticas que foram passadas de geração em geração. Nessa perspectiva é possível dizer que somos todos alunos dos gregos e os gregos, por sua vez, foram alunos dos egípcios. Por esse motivo, a importância da arte egípcia para as manifestações artísticas que viriam depois deles.
A arte egípcia estava inteiramente ligada a religião, sobretudo com a vida após a morte. Os túmulos dos grandes faraós, geralmente Pirâmides, eram solenemente ornamentados com desenhos, pinturas, esculturas, além de baixo e alto relevos. Todo este cuidado servia para “ajudar” a alma a sobreviver após a existência terrena. Assim as imagens encontradas nas tumbas egípcias estavam ligadas com a ideia de propiciar, à alma, ajudantes que o orientassem ou encaminhassem a outra vida. No entanto, esse rico acervo de imagens divide conosco um retrato do cotidiano dos antigos egípcios.
Era importante para essa civilização retratar o máximo possível, preocupando-se mais com a integralidade das cenas do que com a beleza. Não tinham, portanto, o objetivo de representar a natureza tal como era. Em vista disso, criaram um estilo de desenho muito singular, de modo que tudo que precisassem representar na cena aparecesse com clareza e objetividade.




Assim, os desenhos egípcios de pinturas de figura humana eram representados com cabeça lateral, tronco frontal, pernas e pés laterais. A cabeça é vista e desenhada mais facilmente de lado por isso eles a faziam neste ângulo. Já os olhos são mais facilmente executados de frente e o tronco humano, também, é melhor representado desse ângulo, pois se observam como os braços se ligam ao corpo. Tudo tinha que ser representado do ângulo mais característico.
Os egípcios não se preocupavam com a perspectiva, adotaram um estilo geometrizado de desenho e geralmente suas pinturas eram acompanhadas de escritas (hieróglifos). As tintas eram obtidas por meio de elementos da natureza.
Ainda que passassem uma grande sensação de rigidez as esculturas egípcias revelavam informações bem completas e relevantes sobre a pessoa, geralmente faraó ou deuses, que era representada. Estas esculturas eram criadas com frequência de forma frontal, os homens eram representados em pé com o pé esquerdo a frente. Quando sentadas, tinham as mãos sobre as coxas, além disso as estátuas egípcias não possuíam expressão facial muito acentuada. Também, é possível encontrar bustos, baixo e alto relevo com hieróglifos, estátuas de animais e estátuas simbióticas que uniam partes animais e humanas, geralmente representando deuses. As dimensões da estatuária egípcia são bastante variadas, pode-se encontrar esculturas de grandes proporções e também miniaturas. Habitualmente eram criadas para compor as câmaras mortuárias, assim como as máscaras mortuárias que serviam para proteger o rosto da múmia, em geral eram feitas de ouro.
Em pouco mais de três mil anos, a arte egípcia pouco sofreu modificações em seu estilo, ou seja, o modo de representar o homem e a natureza permaneceu o mesmo, compreendendo um conjunto de regras bastante rígidas que eram aprendidas pelos artistas da época com maestria.
Fonte: GOMBRICH, E.H. A história da arte.
Hieróglifos Egípcios
Os hieróglifos egípcios eram considerados uma escrita divina para a sociedade do Antigo Egito e tinham um papel fundamental naquele contexto.
A escrita que se desenvolveu na antiga civilização egípcia encontrava-se envolta em mistério até o ano de 1822, quando o pesquisador francês Jean François Champollion decifrou a famosa pedra de roseta, na qual se encontravam caracteres demóticos, gregos e os hieróglifos. No Egito, o hieróglifo foi o tipo de escrita que mais exerceu influência na sociedade, haja vista que era a escrita predominante em livros sagrados e nas demais peças fundamentais da Literatura.
Os egípcios utilizavam o termo medjunetjer, que significa “a palavra do deus” ou “palavra divina”, para designar o tipo de escrita hieroglífica. O termo hieróglifo tem origem grega e expressa o mesmo significado, isto é, “inscrição sagrada”, dos radicais: hieros, sagrado, e glyphein, gravar. O hieróglifo, portanto, era considerado o tipo de símbolo mediador entre a mente divina criadora e o mundo criado. Através dessa escrita, os sacerdotes e escribas egípcios poderiam referir-se à criação divina e ao próprio divino, servindo-se dos símbolos por ele fornecidos que eram passíveis de serem associados às coisas existentes.
Dessa forma, os hieróglifos estruturam-se em três formas principais: 1) como escrita pictográfica, isto é, como produtora de caracteres que formam imagens (de objetos, pessoas, animais etc.), funcionando como signo-palavra; 2) como ideogramas, isto é, cada um desses símbolos pictográficos passa uma ideia que deve ser traduzida de acordo com o contexto dos outros símbolos a ele associados; 3) como fonograma, ou seja, cada hieróglifo também tem a ele associado um som diferente. Curiosamente, os egípcios conseguiram estabelecer som para 24 consoantes de sua língua mesmo sem terem desenvolvido uma língua alfabética, como os fenícios, gregos e romanos.
Sendo assim, cada imagem hieroglífica, ou pictograma, é acompanhada de uma ideia e de um som específicos. Por exemplo, o pictograma de um homem com a mão na boca pode representar várias ideias, como “falar”, “ter sede” ou “comer”, a depender do contexto em que estiver inserido.
Fonte: FERNANDES, Cláudio. "Hieróglifos egípcios" / Descobrir Egipto


